não quero ver
o contorno
do amado desenho de sua boca
se contorcer
suave
em um sonoro
"eu te quero"
quero apenas sentir
nos meus poros sempre abertos
ao amado peso de suas mãos
suaves
um sincero
"eu te espero"
espero
te ensinar
que no amor
as palavras são aliadas
daqueles que temem o passar das horas
e como arma para os covardes
explodem assustadas
aquilo que não teve tempo de ser ditopor si mesmo.
segunda-feira, 4 de junho de 2012
terça-feira, 29 de maio de 2012
sobre a timidez
sem querer
e de propósito
a gente se esbarrava
e sem saber o porquê
nunca se olhava
(ao mesmo tempo)
os olhos escorregavam
pelas bolsas
pelos bolsos
procuravam celular, cigarro, calabouços
contornavam as órbitas
constrangidos
procurando abrigo
fora dos óculos
e mesmo quando um
ou outro
forçava o encontro
era de bom tom
e maior conforto
que as pupilas contornassem
as bocas
vacilantes como as de um peixe
abertas em bolhas de silêncio
sábado, 7 de abril de 2012
terça-feira, 13 de março de 2012
tato #2
Um dia Ribamar existiu pelo tato
os anos lhe pesaram na mão
sólidos como seu crânio
enquanto a certeza da morte
escorria macio por entre os fios de seu cabelo
(com certeza mais finos
e escassos do que os meus)
fecho o livro
e o poema me nasce no mundo
como a capacidade tátil nasce Ribamar
brinco por um tempo
com um fio solto por entre os dedos
esqueço de existir.
segunda-feira, 12 de março de 2012
notas sobre a dexistência com x
chamo de 'dexistência'
a prazerosa prática de não ser.
pequenos exercícios que me proporcionam
pequenos exercícios que me proporcionam
momentaneamente
a experiência abissal de abandonar a existência
em todos os termos físicos e Aristotélicos.
exercício #1:
como quando aos seis anos
devo espremer os olhos
e soltar os membros no vazio
por fim, preciso apenas
girar
o mais rápido possível
( a velocidade dá a liga entre o dentro e o fora )
( a velocidade dá a liga entre o dentro e o fora )
exercício #2:
enterrar meu rosto em sua mão
sufocar as narinas
e cegar com a pressão do toque
não emitir um som
ser todo tato
toda palma
( o calor garante a calma de esquecer )
domingo, 12 de fevereiro de 2012
eu conto cinco palmos de tato
onde os pelos antecipam o toque
como aspas em um livro
se eriçam das páginas
adiantando o discurso
como os sensores dos prédios
se atiçam em luz
prevendo nosso percurso
conto
um palmo de papel
onde a tinta antecipa a palavra
cinquenta palmos de calçada
cada passo mais perto da chegada.
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
raiva de quem sabe
quero
dizer tudo o que eu não sei
e desdizer depois
nunca saber
se ou quando
vai chover
como ou quanto
você me ama
que horas são
se estamos perto ou não
do fim
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
casa
De volta da feira
melhor puxar mais cadeira
toalha nova
a sala cheia
a sobremesa é torta de limão
-
Depois do almoço
cada um cai num canto
enquanto
o silêncio entra em casa
pela frestinha da janela
fazendo eco nas paredes
que escutam o ronco do vovô
-
Tardinha
chá de laranja
(que tem gosto de cheiro bom)
e as gargalhadas da Maria
ouvindo radinho de pilha
-
Noite vazia
os quartos dormem tranquilos
embalados a maresia
recorte do centro #2
Avá-canoeiro remando sentado
no ladrilho da escadaria
e a gente cantando
pra frente, pra trás
no mar colorido
na canôa de pedraria.
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