terça-feira, 29 de maio de 2012
sobre a timidez
sem querer
e de propósito
a gente se esbarrava
e sem saber o porquê
nunca se olhava
(ao mesmo tempo)
os olhos escorregavam
pelas bolsas
pelos bolsos
procuravam celular, cigarro, calabouços
contornavam as órbitas
constrangidos
procurando abrigo
fora dos óculos
e mesmo quando um
ou outro
forçava o encontro
era de bom tom
e maior conforto
que as pupilas contornassem
os lábios
que cobriam com palavras a vergonha
de um beijo
sábado, 7 de abril de 2012
terça-feira, 13 de março de 2012
tato #2
Um dia Ribamar existiu pelo tato
os anos lhe pesaram na mão
sólidos como seu crânio
enquanto a certeza da morte
escorria macio por entre os fios de seu cabelo
(com certeza mais finos
e escassos do que os meus)
fecho o livro
e o poema me nasce no mundo
como a capacidade tátil nasce Ribamar
brinco por um tempo
com um fio solto por entre os dedos
esqueço de existir.
segunda-feira, 12 de março de 2012
notas sobre a dexistência com x
chamo de 'dexistência'
a prazerosa prática de não ser.
pequenos exercícios que me proporcionam
pequenos exercícios que me proporcionam
momentaneamente
a experiência abissal de abandonar a existência
em todos os termos físicos e Aristotélicos.
exercício #1:
como quando aos seis anos
devo espremer os olhos
e soltar os membros no vazio
por fim, preciso apenas
girar
o mais rápido possível
( a velocidade dá a liga entre o dentro e o fora )
( a velocidade dá a liga entre o dentro e o fora )
exercício #2:
enterrar meu rosto em sua mão
sufocar as narinas
e cegar com a pressão do toque
não emitir um som
ser todo tato
toda palma
onde o calor garante a calma de esquecer
domingo, 12 de fevereiro de 2012
eu conto cinco palmos de tato
onde os pelos antecipam o toque
como aspas em um livro
se eriçam das páginas
adiantando o discurso
como os sensores dos prédios
se atiçam em luz
prevendo nosso percurso
conto
um palmo de papel
onde a tinta antecipa a palavra
cinquenta palmos de calçada
cada passo mais perto da chegada.
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
raiva de quem sabe
quero
dizer tudo o que eu não sei
e desdizer depois
nunca saber
se ou quando
vai chover
como ou quanto
você me ama
que horas são
se estamos perto ou não
do fim
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
casa
De volta da feira
melhor puxar mais cadeira
toalha nova
a sala cheia
a sobremesa é torta de limão
-
Depois do almoço
cada um cai num canto
enquanto
o silêncio entra em casa
pela frestinha da janela
fazendo eco nas paredes
que escutam o ronco do vovô
-
Tardinha
chá de laranja
(que tem gosto de cheiro bom)
e as gargalhadas da Maria
ouvindo radinho de pilha
-
Noite vazia
os quartos dormem tranquilos
embalados a maresia
recorte do centro #2
Avá-canoeiro remando sentado
no ladrilho da escadaria
e a gente cantando
pra frente, pra trás
no mar colorido
na canôa de pedraria.
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
recorte da infância #3
acordar antes da casa
e se esparramar
nas ripas de sol das lajotas da sala
como os gatos faziam
todas as manhãs
colar as bochechas
no chão morno
os cabelos dourados
a pele mais branca
e uma nuvem de pêlos
girando na claridade
Assinar:
Postagens (Atom)