-
quando pequena,
tinha um medo danado
de ser absungada
pelo galã extraterrestre
da novela das sete
-
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
recorte da infância #1
.
o trânsito visto da janela
são duas jóias
diamantes e rubis
enfileirados
no pescoço da cidade
.
o trânsito visto da janela
são duas jóias
diamantes e rubis
enfileirados
no pescoço da cidade
.
terça-feira, 13 de setembro de 2011
inverso
o poema é o inverso da fala
revirada na alma
exposta do avesso
cada osso cada nervo
todo gozo e todo medo
o verso é avesso a calma
atropela o poeta
um caminhão invisível
dois mil quilos
de carga indizível
-
revirada na alma
exposta do avesso
cada osso cada nervo
todo gozo e todo medo
o verso é avesso a calma
atropela o poeta
um caminhão invisível
dois mil quilos
de carga indizível
-
sexta-feira, 5 de agosto de 2011
recorte do centro #1
Aquela tarde na Carioca
nós flutuávamos de mãos dadas
por cima dos discos nas calçadas.
Lembro de você me olhando
e o Roberto Carlos olhando
por debaixo da minha saia.
Nós flutuamos na calçada.
A brisa quente dos bueiros do metrô
nas canelas nuas da primavera.
Ninguém se importava
nem eu, nem você
a gente apenas flutuava.
De mãos dadas, na calçada.
-
nós flutuávamos de mãos dadas
por cima dos discos nas calçadas.
Lembro de você me olhando
e o Roberto Carlos olhando
por debaixo da minha saia.
Nós flutuamos na calçada.
A brisa quente dos bueiros do metrô
nas canelas nuas da primavera.
Ninguém se importava
nem eu, nem você
a gente apenas flutuava.
De mãos dadas, na calçada.
-
domingo, 26 de junho de 2011
segunda-feira, 20 de junho de 2011
sudoeste
o meu tempo
eu invento
sudoeste, mar adentro
maré cheia
em ventania de pó
eu carrego poeira
e quem quiser que feche os olhos.
eu invento
sudoeste, mar adentro
maré cheia
em ventania de pó
eu carrego poeira
e quem quiser que feche os olhos.
quarta-feira, 11 de maio de 2011
maio
minha dor não é mais azul que o céu de maio.
e essa vontade de transformar
tudo que eu sinto em outono
como as árvores que escolhem
o dia mais bonito do ano
para se livrar
das folhas que não lhe servem mais.
minha dor não é maior que a Praça de Maio.
e essa vontade de marchar
tudo o que eu sinto em protesto
como as mães que escolhem
o mês mais bonito do ano
para chorar
por tudo aquilo que não volta mais.
e essa vontade de transformar
tudo que eu sinto em outono
como as árvores que escolhem
o dia mais bonito do ano
para se livrar
das folhas que não lhe servem mais.
minha dor não é maior que a Praça de Maio.
e essa vontade de marchar
tudo o que eu sinto em protesto
como as mães que escolhem
o mês mais bonito do ano
para chorar
por tudo aquilo que não volta mais.
segunda-feira, 11 de abril de 2011
segunda-feira, 4 de abril de 2011
ausência
eu não estou mais aqui.
aqui, apenas as palavras residem
isentas de minha essência
ou existência
por conta própria
elas dizem
livres de minhas significâncias
elas flutuam
nos vazios dos sentidos
expostas para as ânsias
da sua interpretação
aqui, apenas o dizer
de um ausente
que repete
somente
o que você quiser entender.
aqui, apenas as palavras residem
isentas de minha essência
ou existência
por conta própria
elas dizem
livres de minhas significâncias
elas flutuam
nos vazios dos sentidos
expostas para as ânsias
da sua interpretação
aqui, apenas o dizer
de um ausente
que repete
somente
o que você quiser entender.
Assinar:
Postagens (Atom)