segunda-feira, 4 de abril de 2011

ausência

eu não estou mais aqui.
aqui, apenas as palavras residem
isentas de minha essência
ou existência
por conta própria
elas dizem
livres de minhas significâncias
elas flutuam
nos vazios dos sentidos
expostas para as ânsias
da sua interpretação

aqui, apenas o dizer
de um ausente
que repete
somente
o que você quiser entender.

quinta-feira, 24 de março de 2011

é como quando o silêncio chega,
passos largos e pesados
e se larga no sofá entre a gente
afundando a almofada
você pergunta o que que foi
e eu sempre digo
- nada.

sábado, 12 de março de 2011

vôo de uma abelha ao redor de uma romã

sonhei que acordávamos
atrasados
enrolei uma meia hora
de cinco minutinhos
e fiquei presa embaixo
dos seus braços pesados
você me contou
um pesadelo engraçado
e a história de uma cicatriz
qualquer coisa, passado
agora não me lembro
não lembrei nem na hora
fechei os olhos e esqueci
e com eles fechados
vi você se vestir
continuei assim
não lembro de te ouvir sair
quando voltei a dormir
acordei
você não estava mais aqui


-

sábado, 29 de janeiro de 2011

isca

meus olhos piscam
faíscam
sinais
pisca alertas
alertando a explosão
das pálpebras abertas




-



a cidade cresceu ao meu redor
ou meu redor que cresceu a cidade?



-

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

caracol

caracol se enrosca
pra dentro de si
e só sai se tem sol
vive de si
se sabe sozinho
se carrega nas costas
se lesma nas coxas
nas conchas
caracol é ninho
sei que me encolho
recolho
me limo
me lodo
me enrolo todo
mas quando não
sigo carreira solo
encaracolo no seu colo.


-

tempo mais distância

saudadi
saudida
d´ocê.


Com o pensamento em Pricila Ferreira Almeida.

in sônia

o sono se afasta
na marcha cadenciada
dos ponteiros
do relógio de pilha
que pulsam
pensamentos repulsantes
sobre você.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

neurose britânica



é preciso chegar em ponto
preciso chegar em ponto
chegar em ponto
em ponto
em pt

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segunda-feira, 8 de novembro de 2010

polaroid


De dentro da moldura branca
seus olhos grandes
e ternos
me encaram em foco
como um par de pequenos
buracos negros
de gravidade tão intensa
que sugam ruas, letreiros, pedestres,
cartazes, postes
ecos da cidade ao seu redor
sugam as cores
da imagem e da memória
deixando apenas
seus abismos
que há muito eu não vejo piscar.

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caderno antigo; poema novo.