sábado, 5 de junho de 2010
cremogema
Panela no fogo
a bisa mexia
no sentido horário,
tic tac na colher de pau,
pra não desandar.
Mingau no prato
come antes de esfriar!
quente, quente, quente
primeiro as beiradas,
cuidado pra não se queimar!
Louça na pia
deixa que eu lavo!
só pega um banquinho
pr´ eu alcançar.
quarta-feira, 26 de maio de 2010
balanço
No topo do mundo
ela é vento.
Basta um impulso
e o céu se aproxima
as pernas esticadas
deixando pra trás
o chão,
os cabelos,
a mãe
e seus zelos.
A liberdade,
suspensa por duas cordas,
dura o instante
de desejar ser livre
antes de ser tragada
de volta
pela paisagem.
domingo, 16 de maio de 2010
desnudar
Peça por peça,
me dispo.
tiro artigos, preposições – meros acessórios
desabotôo rimas
verso por verso
descalço sílabas de seda
presas na cinta métrica
puxo o zíper, exclamação (!)
escorrego vírgulas pelas pernas
deixo à mostra a interrogação
sozinha no quarto
uma palavra flutua
nua.
terça-feira, 4 de maio de 2010
poeira cósmica
Flocos flutuantes,
poeira dançante
no sol da manhã.
Pequenas estrelas
na nossa galáxia
de dezmetrosquadrados
em laranjeiras.
Cada livro na estante
explode
uma supernova
de páginas, de pó,
constelações inteiras,
poeira cósmica
que une em verso
nosso universo.
domingo, 2 de maio de 2010
prelúdio de primavera
Na claridade tímida da manhã,
delgado,
o felino se estica,
espreguiça, torce, contorce
e contorna com a cauda
as mornas pedras da varanda.
O largo bocejo
é interrompido
pela nova distração:
amarela,
ela voa ligeira,
vinda do jardim.
Paira
antes de ser espantada
por galhos de pêlo
e segue para o azul,
infinita.
-
Mais uma vez: Camila Andrade, na foto sua musa Frida : http://www.flickr.com/photos/camiandrade/
quarta-feira, 28 de abril de 2010
domingo, 25 de abril de 2010
"you´ll shine like gold in the air of summmer"
No caminho para o centro, atravesso o aterro em um ônibus sonolento. A brisa de domingo, sem pagar passagem, ocupa todos os assentos ao mesmo tempo.
Lá fora, o céu nublado e a grama ensolarada onde a vida desfila, despretensiosa, independente de mim. Dois labradores puxam o seu humano para uma corrida ansiosa, faminta de verde. No canto da janela, uma bicicleta tenta alcançar a minha visão, mas fica para trás.
As pálpebras se fecham com a tentativa do vento de irritar a córnea exposta mas eu sei que, bem como antes, o cortejo da vida continua, indiferente ao meu olhar.
Entre os cílios, a risada muda de uns pequenos me diverte...como são bonitos os filhotes!
Lembrei como me faz falta uns fones de ouvido e logo no minuto seguinte desisti da lembrança, afinal, a música sempre me vem aos ouvidos, como a brisa aos olhos.
-
Com Gold in the Air of Summer - Kings of Convenience ecoando no caminho de uma tarde muito agradável.
quinta-feira, 15 de abril de 2010
o espanto
Através de tão frágil ramificação
nasce o espanto,
como uma bomba cor-de-rosa
que explode
em meio ao concreto,
espalhando nuvens de pétala
para todos os lados.
A onda varre o quintal,
a grade
e a rua além da grade
contaminando a primeira passante que,
em um passe de mágica,
captura em luz e sombra a explosão.
segunda-feira, 12 de abril de 2010
terça-feira, 6 de abril de 2010
brincadeira de menino
Brincadeira de menino,
paladino na ribanceira.
Brincadeira de menino,
franzino sem eira nem beira.
Brincadeira de menino,
contra o cristalino da ribeira.
Brincadeira de menino,
no azul-fino da aguaceira.
Brincadeira de menino,
desce fino a corredeira.
Brincadeira de menino,
desagua delfino na cachoeira.
paladino na ribanceira.
Brincadeira de menino,
franzino sem eira nem beira.
Brincadeira de menino,
contra o cristalino da ribeira.
Brincadeira de menino,
no azul-fino da aguaceira.
Brincadeira de menino,
desce fino a corredeira.
Brincadeira de menino,
desagua delfino na cachoeira.
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